28/09/2019 às 09h14
Cleide Rocha
Cotia / SP
Manifestações em todo o país tem protestado também o caráter mercadológico do programa
A maioria das universidades federais brasileiras já declarou que não vai aderir ao novo programa de financiamento “Future-se” lançado pelo governo no mês de Julho deste ano. Das 63 instituições federais, 28 já tem posição do conselho universitário contra a adesão de acordo com levantamento da UNE.
UFRJ, UFMG, UFAM, UFRR e Unifap foram as primeiras a rejeitarem a proposta.
O jornal Estado de São Paulo divulgou nesta quarta-feira (25/9) que 34 rejeitam o projeto de alguma forma. Mesmo ainda sem posicionamento oficial alguns reitores ou entidades do setor têm criticado o projeto.
Como em Minas Gerais onde o Fórum das IES do Estado lançou uma manifestação contra o programa em nome das 19 instituições mineiras logo após o lançamento do projeto. O Conselho Universitário da maioria acabou endossando o posicionamento logo depois.
Confira:
Presente no lançamento, a UNE rechaçou o projeto, dentre outros argumentos porque acredita que a iniciativa é uma porta para a privatização das instituições públicas.
“Essa resposta da maior parte das universidades só mostra que não é possível propor alternativas sem diálogo com a comunidade acadêmica. O Future-se representa na sua essência tudo que não queremos para o ensino superior público: dependência do setor privado e uma desresponsabilização do governo no financiamento”, explicou o presidente da UNE, Iago Montalvão.
A Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) também questionou a falta de estudos de impacto e mesmo a viabilidade das soluções apresentadas pelo Future-se.
“Qual foi o estudo de viabilidade desse fundo? Será que esse fundo será um bom investimento para os setores privados? Quanto tempo de maturação terá esse fundo a tal ponto que possa, sim, significar o orçamento adicional que venha a garantir o funcionamento regular das universidades? Cadê o estudo? O desafio é grande, então nós queremos uma solução robusta”, indagou em entrevista à Publica o presidente da entidade, João Carlos Salles.
Um dos pontos mais obscuros do Future-se é a entrega da organização da universidade às Organizações Sociais. O projeto prevê que elas poderão exercer atividades fim nas universidades, como contratação de professores, e gestão nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, e não só na gestão de serviços. Para as entidades estudantis esse é o fim da autonomia universitária.
O presidente da República, Jair Bolsonaro, tem ainda ignorado as listas tríplices na escolha de reitores das federais, e escolhido apoiadores do governo, numa tentativa de assim conseguir adesão ao programa. Já são seis universidades em que foram nomeados interventores no lugar do candidato mais votado como na UFC, IFRJ e UFFS recém-desocupada pelos estudantes que protestavam contra o reitor escolhido. Em outras ainda um reitor pró-tempore tem sido mantido no cargo indevidamente como na UFGD no Mato Grosso do Sul.
Na UFC embora o Conselho Universitário tenha rejeitado o programa, o reitor Candido Albuquerque – empossado por Bolsonaro a despeito de ter sido o menos votado pelos três segmentos: estudantes, professores e técnicos da universidade – não descartou a adesão e afirmou que apenas após o Future-se ser formatado haverá posição.
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