20/01/2020 às 10h27
Cleide Rocha
Cotia / SP
Uma vez que a Pré-Campanha já começou, recomendo os pré-candidatos a mostrar seus conhecimentos sobre como fazer uma boa gestão de cidades, através da FORMAÇÃO DE LIDERANÇAS e transformar a eleição em uma festa da DEMOCRACIA. Mas (o julgamento é seu eleit@r).
FORMAÇÃO DE LIDERANÇAS
Muito ainda se discute acerca de “um jeito de transformar a realidade”. Tem sido muito comum ouvirmos a palavra líder ou liderança. Líder de um partido político, líder de uma turma, líder de uma gang, líder religioso, espírito de liderança, etc. Assim, a palavra líder tem vários sentidos e pode ser usada por vários segmentos sociais, com objetivos bastante diferentes.
Existem vários perfis de liderança, entre eles poderíamos destacar: as autoritárias, ou seja, aquelas que fazem tudo sozinha, sem ouvir a opinião dos demais e buscando atender muitas vezes aos interesses pessoais e não os do coletivo; a liderança liberal, ou “deixa-correr”, que deixa que cada um faça o que achar melhor, sem se preocupar com a organização e os interesses do coletivo; a liderança paternalista, que tem alguns elementos em comum com a autoritária, pois faz tudo sozinho de forma talvez mais ingênua, achando que favorece o coletivo; e a democrática e participativa, que incentiva a participação de todos e busca atender aos interesses do coletivo. Neste texto, vamos destacar a formação de lideranças com o perfil democrático e participativo, pois liderança com este perfil tem favorecido ambientes mais humanos, criativos, responsáveis, coletivos, etc., ao contrário das outras lideranças, que tem gerado ambientes individualistas, pessoas sem iniciativa, sem criatividade e senso crítico.
Formação integral
A palavra formação vem do latim (formatione) e significa: ato, efeito ou modo de formar; maneira pela qual se constitui uma personalidade, um mentalidade, um caráter ou um conhecimento; é a ação pela qual algo se forma, é produzida a ação de formar, de organizar, de instituir, de instruir, de educar o seu resultado.
Desta forma, através da formação instauramos atitudes, habilidades e valores, integrando os saberes e prática cotidiana, ou seja, podemos formar lideranças e ser liderança, atendendo todas as dimensões que envolvem a pessoa, pois toda formação supõe uma reflexão sobre o sistema de valores que a fundamenta e requer que se coloque em ação aquilo que foi adquirido, de maneira teórica e prática. É a pessoa inteira, nos fundamentos da sua própria personalidade, que é envolvida pelo ato de formação.
Para formar lideranças que sejam democráticas e participativas é preciso criar um processo de crescimento, tanto pessoal como grupal e social e encarnado nas condições históricas e sociais em que se vive. Nestes espaços proporcionaremos a reflexão, que não é um momento isolado das ações. Ambas andam juntas. A prática ou a ação é a melhor forma de aprender. Segundo Humberto Maturana, não se deve ensinar valores, é preciso vivê-los. Não se deve ensinar cooperação, é preciso vivê-la desde o respeito por si mesmo, que surge na convivência do respeito mútuo.
Assim, a formação de lideranças deve valorizar as experiências das pessoas envolvidas para construir uma consciência que as leve a engajarem-se na transformação da realidade. Não é um mero aprendizado teórico, mas sim a aquisição de uma nova prática, uma mudança pessoal, ou seja, uma interação crítica, criativa e democrática na relação com outros agentes na realidade em que está inserida, uma prática democrática e participativa.
Um novo jeito
A formação de uma liderança estabelece-se também na relação entre formador e formando e de formando para formando, que se expressa em formas de comunicação, comportamentos e atitudes em determinado espaço e tempo. Toda formação faz-se real na prática e, mais concretamente, no momento desta prática que é o encontro formativo. Assim, além dos conteúdos, na relação formativa, ensina-se e se aprende uma forma de ser, de viver, de comunicar-se e de agir, numa relação entre a teoria e a prática, que deve levar as pessoas a terem uma visão de mundo, que as tornem conscientes e críticas frente à realidade em que vivem, para enfrentá-la e buscar alternativas de organização, tendo criatividade, autonomia, responsabilidade, flexibilidade, espírito de solidariedade, de respeito para consigo e com os outros e dinamismo para desenvolver o trabalho enquanto um coletivo. Assim, através das habilidades adquiridas o agente articula, organiza questiona e põem em ação seus conhecimentos.
A formação de lideranças democráticas e participativas torna-se um jeito singelo de enfrentar e superar os graves problemas sociais, gerados pelos modelos econômicos injustos e excludentes e que precisam ser enfrentados através de uma nova proposta de formação.
Uma formação que tenha presente a integralidade da pessoa e que seja permanente no sentido de desenvolver os potenciais que o ser humano traz e que cada vez mais se traduzem em saberes.
“Agradeço ao JORNAL DO ESTUDANTE e a TODA SUA EQUIPE que com certeza vão promover um CEPP - CENTRO DE ESTUDOS DE POLITICAS PÚBLICAS para FORMAÇÃO DE LIDERANÇA e ter a experiência de um interessante acesso no campo das comunicações e do conhecimento para uma cidade sempre melhor." (Ademir Souza).
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