Quarta, 29 de julho de 2026
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Movimento Estudantil

07/09/2019 às 18h37

Jornal da Grande São Paulo

COTIA / SP

Nota dos presidentes das entidades estudantis sobre o ID Estudantil
Para os presidentes das entidades governo tenta desviar foco de problemas reais da educação, é retaliação aos estudantes, abuso à privacidade e um retrocesso ao direito da meia entrada
Nota dos presidentes das entidades estudantis sobre o ID Estudantil
Foto divulgação

Carteira de Estudante do governo tenta desviar foco de problemas reais da educação, é retaliação aos estudantes, abuso a
privacidade e um retrocesso ao direito da meia entrada.


1 – A criação de uma carteira estudantil pelo Governo Bolsonaro é uma iniciativa demagógica que visa tirar a atenção dos reais
problemas da educação e da ciência brasileira.


É ainda uma ação autoritária que tem como objetivo retaliar e enfraquecer as
entidades estudantis, diante da luta que os estudantes têm realizado contrários aos cortes na educação. Tal afirmação está evidenciada em diversas manifestações das autoridades governamentais, como o Presidente Bolsonaro que se referiu aos centros acadêmicos como “ninhos de rato”, e afirmou seguidas vezes sua intenção em enfraquecer e perseguir a UNE, UBES, ANPG e os estudantes organizados através desta iniciativa.


2 – É extremamente preocupante as evidências de invasão à privacidade e controle ideológico junto aos estudantes que se
apresentam na iniciativa. Nas palavras do Secretário de Educação Superior do MEC foi um erro histórico “se manter distante dos
nossos clientes que são os nossos estudantes“ e que “temos que ter uma nova forma de se comunicar com os estudantes”. Em maio deste ano foi pública a tentativa do MEC em acessar os dados sigilosos de estudantes nas bases do INEP, iniciativa que foi negada pela procuradoria federal e que gerou a queda do então presidente do Instituto.


3 – Para Iago Montalvão, presidente da UNE “A prioridade nesse momento deveria ser a retomada nos investimentos em educação,
uma vez que a pesquisa brasileira e as universidades federais passam por uma situação extremamente grave. Enquanto isso o
governo quer criar novas despesas para atacar as entidades estudantis e impedir a luta dos estudantes contra os cortes.”.
As entidades reafirmam que não aceitam intimidação e que não sairão das ruas na defesa da educação e dos estudantes. A
expectativa é que a iniciativa anunciada hoje será rejeitada pela sociedade e negada pelo Congresso Nacional.


4- Essa medida contrasta com o discurso adotado no lançamento, como por exemplo a presença caricata do empresário Luciano Hang,
dono da rede de lojas Havan, que já foi notificado pelo Ministério Público e processado pela justiça por divulgação de
fake news. Além da insinuação de que as entidades estudantis estivessem “promovendo o socialismo” nas universidades, em uma
clara tentativa de Bolsonaro criar uma falsa polarização na
sociedade.


Sobre a Lei da Meia Entrada


5 – A lei da meia entrada (12933/2013) é resultado de um amplo
debate e consenso realizado entre estudantes, artistas e
produtores culturais. Esta legislação foi consolidada após mais
de 10 anos de debates no Congresso Nacional, e tem representado
uma nova condição para a meia entrada estudantil, garantindo o
benefício a quem de fato tem direito, o combate as fraudes e a
proteção ao equilíbrio econômico dos produtores culturais.


6 –Na cerimônia de lançamento Jair Bolsonaro mentiu sobre o
número de emissões de carteiras e o valor arrecadado pelas
entidades estudantis para confundir e enganar a opinião pública
brasileira. Desde a sanção da nova lei, a UNE emitiu em média
menos de 150.000 documentos por ano sendo que mais de 20.000 de
forma gratuita. Portanto um pouco mais de 2% do total de
estudantes de ensino superior emitiram documentos diretamente
com a UNE sendo que a ampla maioria o fez diretamente com seus
Centros, Diretórios Acadêmicos e Entidades Estaduais. A receita
proveniente da emissão de carteiras é fonte de financiamento de
toda esta rede de entidades estudantis brasileiras, o que
reforça a capacidade de independência e organização destas
entidades, e são estas milhares de entidades estudantis
organizadas que o Governo Federal pretende prejudicar com a
medida proposta.


7 – A UNE, UBES e ANPG já emitem gratuitamente o documento para
estudantes de baixa renda sem nenhum custo aos cofres públicos,
conforme prevê a Lei 12.933/2013.


8 – A UNE, UBES e ANPG estão extremamente preocupadas com o
retrocesso que poderá ser causado ao próprio direito a meia
entrada dos estudantes. Por seguidas vezes, diferentes setores
tentaram proibir a meia entrada no Brasil, e não conseguindo
justificar a proposta se valeram em complicar as regras de
concessão do benefício, inviabilizando sua aplicação. Com a
aprovação da nova lei (12933/2013) um novo fôlego de seriedade
tem sido construído com amplo esforço das entidades estudantis
organizadas, que emitem seus documentos hoje padronizados em
todo o Brasil e com certificação digital. É lamentável a
irresponsabilidade do Governo Federal em propor uma alteração
nas regras sobre a meia entrada via Medida Provisória,
desrespeitando o Congresso Nacional, causando uma enorme
insegurança jurídica e colocando em risco o próprio direito de
milhões de estudantes.


IAGO MONTALVÃO
UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES


PEDRO GORKI
UNIÃO BRASILEIRA DOS ESTUDANTES SECUNDARISTAS


FLÁVIA CALÉ
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PÓS GRADUANDOS


São Paulo, 06 de setembro de
2019.


 

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