Quarta, 29 de julho de 2026
72641484
Movimento Estudantil

17/05/2021 às 10h50 - atualizada em 19/05/2021 às 15h57

Cleide Rocha

Cotia / SP

Cores de Tarsila para quebrar paradigmas na representação de corpos diversos
Identidade visual da 12ª Bienal da UNE é de autoria de designer gráfico Juliano de Oliveira Moraes que foi buscar inspiração em um dos ícones da Semana de Arte Moderna de 1922
Cores de Tarsila para quebrar paradigmas na representação de corpos diversos
foto divulgação

Uma das maiores honrarias para sua carreira como artista gráfico, designer, diretor de arte e ilustrador premiado, é como Juliano de Oliveira Moraes, define a oportunidade de ilustrar o maior festival estudantil da América Latina.


Fico muito feliz de fazer parte desse rol de doze artistas que foram convidados para ilustrar a Bienal. Já participei de uma presencialmente e é um grandessíssimo evento, uma coisa muito impactante, e agora fazer a identidade da Bienal que não vai acontecer fisicamente por mais que todas as bienais tenham a sua importância única, essa é ainda mais”, afirma.


Apesar da aparência juvenil e de facilmente ser confundido com um estudante, a experiência vem de longa data. Formado em 2007 na Escola de Design da UFMG, Juliano conta que fazer design político e ativista vem de família. Filho de pai gráfico, que imprimia material contra a ditadura escondido nos anos de chumbo, ele cresceu sabendo o que queria fazer. “Não sei dizer como começou, apenas que não vai parar”. Hoje ele é diretor de arte do vereador paulistano pelo PT, Eduardo Suplicy, uma verdadeira lenda da esquerda brasileira.


Para esta edição do festival estudantil dos estudantes ele trouxe a representação de uma multidão, em vários perfis étnicos em um estilo de pintura digital que misturou a pincelada de óleo e acrílico mais da arte acadêmica das pinturas clássicas com uma pincelada que parece um pouco o grão, o resíduo do spray. “ É uma mistura de técnicas que também tem o desejo de se unir a arte acadêmica à arte popular da rua que também está ligada a arte popular interiorana do Brasil”.


O mesmo caráter questionador do Modernismo na Bienal dos Estudantes 


Juliano conta que a busca para compor a identidade visual foi pensando em como a arte é uma resposta para as coisas que estamos vivendo “a realidade brasileira que está muito difícil, muito dolorida”. Ele explica que tem estudado há 4 anos novas formas de representação, algo que vem sendo muito debatido e que para ele a Bienal tinha que trazer esse caráter questionador inclusivo na sua identidade visual.


Essa representatividade que se passou necessária principalmente dentro do ambiente de arte, nesse momento de mundo e Brasil que a gente vive é latente. Então tive como norte essa nova forma de representação e também um resgate do centenário da Semana de Arte Moderna”, afirmou.


E foi de 1922 que vieram pequenos detalhes de algumas pinturas da Tarsila do Amaral, um ícone da Semana e da afirmação da arte moderna brasileira.


Tenho me desafiado nessa ideia de construir identidades étnicas de raça sem que eu tenha usar um tom de pele naturalista. Esse desafio eu acho que na pintura digital da Bienal eu consegui chegar. Todos os personagens são azuis, mas você consegue perceber o que é a negritude, o que são os povos originários, o que é o branco, a gente fez de uma forma para tentar representar essas frações que compõe essa multiplicidade do que é ser brasileiro, só que de uma forma que eu conseguisse que os personagens fossem da mesma cor” .


Sob a base azul luzes, brilhos e sombras, muito coloridas e até um pouco psicodélicas como transmissores de vibração, alegria, autoafirmação. “Porque durante a pandemia a gente entrou numa de nem se olhar no espelho mais e de uma carência enorme desse lugar de uma iluminação de noite, de uma festa, de um baile de carnaval, desses momentos festivos tão característicos do Brasil e da nossa arte. Então eu quis criar das cores que vem em contraposição a esses azuis um sistema alegórico de resgatar uma alegria da afirmação identitária da diversidade. E ao fundo próximo as cores mais padrões que é o azul, o verde e o amarelo que são muito presentes no trabalho da Tarsila”.


Para o artista, a conexão foi feita entre o universo da arte acadêmica, da arte popular, do universo estudantil revolucionário, Tarsila, a Semana de 22 e esse estilo de pintura que questiona a representatividade e a diversidade. “Conseguimos alinhavar muito bem amarrado universos às vezes um pouco distantes, parece meio difícil falar de tudo isso num pôster, mas quando eu olho depois de tantos dias, a identidade na rua, eu vejo que a missão foi cumprida”.


Juliano também refletiu sobre os momentos históricos da Semana com a atualidade e comparou o caráter questionador dos estudantes com o dos artistas modernistas. “O que rolou quanto aconteceu a Semana de Arte Moderna e o que a gente precisava também para a Bienal é uma arte que parece um suspiro, ela dá uma esperança, ela transparece nesse olhar altivo dos personagens que estão ali representados, nesse olhar para cima, um olhar meio ferino, que é o olhar da confiança, o olhar da juventude revolucionária, vanguardista na arte. Na confiança que o futuro não só pode, como vai ser melhor porque a gente vai fazer hoje acontecer”.


 


E finaliza: “o cartaz representa uma pequena multidão, essa vontade de representar o Brasil em uma amplitude. A pintura lembra o céu, o ar que tanto precisamos em um momento que estamos sufocados de todas as formas, é um respiro de um que eu espero que seja o respiro deu uma centena de milhares”.

FONTE: UNE

O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos o direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas. A qualquer tempo, poderemos cancelar o sistema de comentários sem necessidade de nenhum aviso prévio aos usuários e/ou a terceiros.
Comentários

0 comentários

Veja também
Facebook
© Copyright 2026 :: Todos os direitos reservados