18/09/2023 às 12h08 - atualizada em 18/09/2023 às 12h11
Cleide Rocha
Cotia / SP
O estudante de licenciatura em Artes da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) Luiz Pataxó é o novo presidente da União dos Estudantes da Bahia (UEB). Ele foi eleito no Congresso da UEB, realizado nos últimos 01, 02 e 03 de Setembro na UESC em Ilhéus (BA).
Em oitenta anos da entidade é a primeira vez que um estudante indígena preside a UEB. Para Luiz, de 26 anos, representante do Povo Pataxó, referência no movimento indígena de juventude da Aldeia Coroa Vermelha, é uma prova de avanço na inclusão dos povos indígenas.
“É um marco histórico da entidade. Vemos que em vários espaços os povos estão estão sendo reconhecidos. Não só os povos indígenas, mas todos os povos de comunidades tradicionais. Hoje estar à frente da entidade para gente aqui do extremo sul [da Bahia] foi um um grande avanço”, ressaltou.
Para o novo presidente é importante que cada vez mais de pessoas de comunidade tradicionais estejam engajadas nos espaços universitários, para poder dar visibilidade as comunidades e serem exemplo para os demais.
“Hoje a gente não consegue dar vazão dos nossos indígenas irem para as universidades. São bem poucos. Agora com uma representatividade desse porte vai ser um estímulo gigantesco, um fato histórico, de retomada, de empoderamento, que de fato precisamos”, afirmou.
Luiz destacou sua jornada trabalhando no movimento indígena, a mesma luta dos seus ancestrais, e agora na linha de frente. “Estou trazendo essa energia da luta dos povos indígenas para o movimento estudantil e acho que é um diferencial muito grande que vai dar uma força na melhoria da educação no nosso estado e no nosso no nosso país”.
E qual o legado de luta que entidade liderada por um estudante indígena até 2025 quer deixar?
Cultura e a tradição, um espaço muito mais verde e muito mais consciente. “Acho que a educação perpassa quando a gente fala sobre o cuidado da mãe natureza. Quando a gente fala sobre o respeito à ancestralidade, quando a gente fala sobre a luta incessante sobre os direitos. Então eu espero que essa minha gestão seja uma gestão marcadas por esses aspectos”.
Como motivação para presidir a entidade ele conta a necessidade de ampliar a comunicação e visibilidade nos territórios. “Por muitas e muitas vezes muitos dos meus não tinham acesso a comunicação. Eu mesmo não sabia o que era movimento estudantil sabe? Agora quando eu quando eu estou passando nas ruas e que a galera vem perguntar sobre. Então, isso me dá o entendimento de que as pontas vão ter contato e informação sobre os movimentos estudantis, sobre a evolução dos dos estudantes baianos, sobre o protagonismo que os estudantes tiveram, inclusive na derrota do opositor aí nesses últimos tempos”.
Pautas para o próximo período
O novo presidente da UEB, destaca a necessidade de garantir que a nova Lei de Permanência estudantil discutida no Congresso Nacional, que esteja atrelada a todas as políticas de cotas estudantis, como está no projeto de lei PL 1434/2011, para assegurar que todos os cotistas tenham acesso à permanência.
“É preciso lutar ainda que os estudantes estejam na linha de frente das políticas públicas atuando com a UEB, junto com o Conselho Estadual da Juventude, com a coordenação de Políticas Públicas para a Juventude, bem como fazer debates profundos sobre as escolas estaduais, em nível de ensino médio, garantindo que todos consigam ter acesso às escolas, colégios e universidades”.
FONTE: une
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