29/07/2026 às 17h16
Jornal da Grande São Paulo
COTIA / SP
Mais de 1.200 estudantes negros, negras, quilombolas e pós-graduandos de todas as regiões do país aprovaram, no último sábado (12), a carta política do 8º Encontro de Negras, Negros e Cotistas da UNE (ENUNE) e do 3º Encontro de Pós-Graduandos e Pós-Graduandas Negras e Negros da ANPG, realizado entre os dias 10 e 12 de julho, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador.
Com o tema “Juventude Negra Viva: nas universidades e na ciência contra o racismo, em defesa das cotas e por reparação”, o encontro reuniu estudantes da graduação e da pós-graduação para debater o fortalecimento das políticas de ações afirmativas, a permanência estudantil, a produção científica comprometida com a justiça racial e o enfrentamento ao racismo no Brasil. A cerimônia de abertura contou com a conferência que deu nome ao encontro e marcou o início de três dias de debates e construção coletiva de propostas.
Entre as principais deliberações aprovadas está a decisão de massificar em todo o país a campanha “Tire as Mãos da Minha Cota”, da UNE, fortalecendo a mobilização em defesa das ações afirmativas diante das tentativas de enfraquecimento das políticas de cotas nas universidades brasileiras.
A carta também reafirma a campanha da ANPG pela universalização das cotas na pós-graduação e defende o fortalecimento das bancas de heteroidentificação como instrumento de proteção das políticas de ações afirmativas.
Na área da educação, a carta defende a ampliação do orçamento das universidades públicas e do Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), a prioridade para estudantes cotistas nos editais de auxílio e bolsas, a criação de pró-reitorias de ações afirmativas em todas as universidades públicas e o fortalecimento dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABIs).
Os participantes também aprovaram propostas para enfrentar o racismo religioso, ampliar a implementação da Lei 10.639/2003, criar protocolos para proteger estudantes durante operações policiais em territórios periféricos e fortalecer a presença da juventude negra nos espaços de decisão sobre ciência, meio ambiente e políticas públicas.
Como parte do calendário nacional de mobilização, o encontro definiu o 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, como uma das principais datas de mobilização em defesa das cotas, da reparação e do combate ao racismo.
No documento final, UNE e ANPG reafirmam que a presença da juventude negra nas universidades é resultado de décadas de luta do movimento negro e do movimento estudantil e defendem que o próximo período seja marcado pelo aprofundamento das políticas de reparação, permanência e democratização do ensino superior.
“Seguiremos, dentro e fora das universidades, transformando ciência em instrumento de reparação e de vida, e não em ferramenta de manutenção de privilégios”, afirma a carta aprovada pelos participantes.
FONTE: UNE
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