Quarta, 29 de julho de 2026
72641484
Movimento Estudantil

18/09/2023 às 12h11

Cleide Rocha

Cotia / SP

Conheça Daiane Araújo, a vice-presidenta da UNE
Negra, sertaneja e cotista, ela se soma a uma mesa diretora de mulheres que querem uma nova Lei de Assistência Estudantil como legado
Conheça Daiane Araújo, a vice-presidenta da UNE
@xuniorl

A nova vice-presidenta da UNE, Daiane Araújo, tem 27 anos e é estudante de Design de Interiores na Uninove. Natural do sertão de Pernambuco, da pequena Serrita, ( 18 mil habitantes), é de uma família de agricultores, cresceu na Zona Rural e estudou toda vida escolar em uma escola do campo. 


Mulher negra e sertaneja, entrou na universidade como cotista e lá ela encontrou um espaço de ser e entender quem era, e na militância uma forma coletiva de mudar a realidade. O caminho a trouxe a uma mesa diretora feminina e feminista da UNE que tomou posse no dia 31 de Agosto e vai presidir a entidade até 2025. 


“Se somos esses sujeitos que acessamos a universidade, direitos, com uma visão crítica e que hoje ocupamos esses lugares de liderança e organização política, isso também tem um nível de sensibilidade importante na luta que a gente constrói, essas trajetórias que humanizam a nossa luta”, destaca. 


E continua: “quando eu falo que quero ser lembrada na UNE como a geração que conquistou a lei de assistência e permanência estudantil, eu tenho uma vivência sobre isso, eu entrei na universidade a partir de políticas como a lei de cotas, morei em residência universitária e se não fosse o restaurante universitário teria sido impossível permanecer.”


Para Daia, a tarefa da UNE hoje é organizar o movimento estudantil nas bases. “Como nos anos de pandemia perdemos aquilo que nos é mais caro que é estar em sala de aula, organizando os estudantes, mobilizando, é o momento da gente reconstruir, fazer as eleições de DCE que não tiveram, construir CA onde não existe, mobilizar os estudantes na base para a gente conseguir ter força e poder de convocação nas ações e lutas”. 


 


Trajetória na universidade


Estar na universidade era um sonho coletivo familiar. A mais velha de quatro filhos, ela foi assim como milhares de jovens beneficiados pelos programas de democratização do governo Lula, a primeira a entrar na universidade. 


“A minha mãe terminou o ensino médio, na mesma escolha e no mesmo dia que terminei a 8ª série. Meu pai só fez até a quarta série. Então essa projeção de entrar na universidade sempre foi para os meus pais assim: vocês precisam entrar na universidade para que a realidade de vocês seja diferente da nossa”.


 


Em 2012, Daia fazia cursinho para entrar em medicina, mas os impactos da seca nas condições econômicas da família impactaram diretamente na permanência no cursinho pré-vestibular, gasto maior que a renda da família. O senso de urgência e a vontade real de estudar Arquitetura falou mais alto. “Para mim acho que é mais sobre urbanismo do que arquitetura. É pensar não só o ambiente, mas a cidade, como ela é feita para as pessoas, quem está em cada espaço. A materialização das contradições humanas, como a gente se relaciona em sociedade”.


No curso de arquitetura da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) ela se engajou no CA, depois Federação Nacional dos Estudantes de Arquitetura e Urbanismo. De lá, ela começou a mergulhar no movimento estudantil, viajando para outros estados, fundando novos Cas, e organizando os estudantes. 


A conjuntura na academia foi desafiadora e trouxe vários percalços. Greve, depois a pandemia, quando ela participou ativamente da luta para que os estudantes que moravam na residência universitária recebessem auxílio emergencial, a luta da carga horária, das presenças na sala de aula, alteração do regime disciplinar, tudo para que os graduandos não fossem prejudicados pela força maior. 


Formada arquiteta, ela continuou os estudos, dessa vez em Design de Interiores na Uninove em São Paulo.


Papel da UNE no governo Lula


Para a vice-presidenta da UNE é tarefa da instituição defender a manutenção do governo no enfrentamento da extrema direita, em uma polarização muito clara de interesses que ainda existe. “Não é nem defesa do governo, é defesa da democracia brasileira e do que a gente conseguiu construir no último período. Se fomos a geração que enfrentamos o bolsonarismo nas ruas e nas redes e fomos para a eleição com muita clareza, fizemos isso ao tempo que elaboramos e construímos uma plataforma política. Nossa tarefa é defender a democracia e o programa que nós estudantes e entidades estudantis contribuímos para eleger”, afirma. 


Para ela não existe contradição em fazer críticas à administração federal. “Se nós elegemos esse governo, queremos defendê-lo e fazer parte  dele, temos que reivindicar que ele tenha as nossas pautas de prioridade, que tenha as reivindicações do povo. Quem não chora, não mama, temos que fazer crítica também, isso também é construir”. 



Foto: @xuniorl



Ao mesmo passo, ela defende que os estudantes tenham foco na conquista de direitos. Daia acredita que na atual conjuntura a UNE tem oportunidade de pautar a elaboração de políticas públicas e conquistar mais direitos para os estudantes do ensino público e privado. 


“Primeiro a assistência e a permanência estudantil, e que isso seja feito a partir de um debate amplo de um financiamento que seja a altura dos desafios do povo brasileiro. Os estudantes que estão indo embora ou que não estão conseguindo acessar a universidades hoje são filhos da classe trabalhadora que estão passando fome, que estão no subemprego, no desemprego, e que está carente de todos esses desafios nacionais que a gente quer que a universidade se coloque no enfrentamento”, afirma. 


 


Ela destaca que não é à toa que a pauta econômica é tão latente na sociedade e enfatiza que não há política pública sem financiamento para executar nem no campo da saúde, nem da educação. “Por isso, no Congresso da UNE destacamos a luta contra a taxa alta de juros e foi levada também como uma pauta prioritária porque influi nas bolsas de financiamento, no próprio ProUni, Fies, mas também no desempenho orçamentário que estamos enfrentando e vem do governo anterior. É um desafio que é central para nós”. 

FONTE: UNE

O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos o direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas. A qualquer tempo, poderemos cancelar o sistema de comentários sem necessidade de nenhum aviso prévio aos usuários e/ou a terceiros.
Comentários

0 comentários

Veja também
Cleide Rocha

Cleide Rocha

Blog/coluna Cleide Rocha
Facebook
© Copyright 2026 :: Todos os direitos reservados